sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Quando tudo pode mudar

Falta pouco mais de uma semana para 2009 ficar marcado como uma das maiores quebras de paradigma da história do Oscar. Em exatos nove dias a Academia deve aclamar Guerra ao Terror como o melhor filme do ano passado, apagando uma escrita de 81 anos.



É marcante a característica da AMPAS em dar seu prêmio máximo à produção de maior impacto ou relevância da temporada. Muitas vezes, o vencedor é um longa-metragem de muita fama, mas não o melhor. Sucessos de crítica coroados por revoluções tecnológicas, grandes estrelas ou estrondos sucessos de bilheteria sempre batem projetos menores, mas de resultado melhor, dramaticamente dizendo. É o triunfo da indústria cinematográfica.

Isso ajuda a explicar a vitória de Como Era Verde o Meu Valeu sobre Cidadão Kane em 1941...

My Fair Lady derrotar Dr. Fantástico em 1964...

Rocky derrubar Taxi Driver em 1976...

Dança com Lobos passar por cima de O Poderoso Chefão III e Os Bons Companheiros em 1990...

Ou ainda Gladiador ser o número 1 em 2000 em detrimento a Traffic e O Tigre e o Dragão.

Guerra ao Terror promete mandar pelos ares essa tendência. Favoritíssimo no dia 7 de março, o pequeno filme de Kathryn Bigelow foi pouco visto nos cinemas, tem fraco apelo popular e arrecadou apenas U$ 18 milhões mundo afora. É, claro, um sucesso maiúsculo de crítica, mas isso não esconde o gigantesco contraste com Avatar.



O sonho que James Cameron levou 12 anos para levar às telonas já ganhou U$ 2,46 bilhões de dólares em todo o planeta. É, de longe, a maior bilheteria de todos os tempos. Não teve notas tão altas como o concorrente, porém foi muito bem, aplaudido onde foi exibido.

Qualquer cidadão em sã consciência afirmaria que a vitória maior seria dos pandorianos, contudo a campanha de GT praticamente enterrou essa hipótese. O trabalho de Kathryn venceu quase tudo:

- Producers Guild of America

- Writers Guild of America

- Directors Guild of America

- BAFTA e vários prêmios de círculos de críticos

Só perdeu o Globo de Ouro para Jim Cameron, mas a essa altura a derrota parece irrelevante. Um gol de honra.

Desprezar a força da Avatar, baseada especialmente na teoria deste breve texto, é uma ignorância que não quero praticar. No entanto, parece igualmente ignorante negar que 2009 será de Guerra ao Terror, apesar dos Na’Vi e de Pandora.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Top 15 da década

Hora de escolher os melhores filmes desta década. Tarefa difícil, mas divertida.

15 – Chicago
Estados Unidos, 2002, de Rob Marshall
Musical de primeira, que lembra muito as grandes produções do passado. Direção assustadoramente precisa.

14 – Shrek
Estados Unidos, 2001, de Andrew Adamson e Vicky Jenson
Marcou o começo da era das grandes animações, inovou o formato e a linguagem do gênero e levou o primeiro Oscar de Longa Metragem Animado.

13 – Moulin Rouge! Amor em Vermelho
Moulin Rouge!, Estados Unidos/ Austrália, 2001, de Baz Luhrmann
Responsável pela volta dos musicais às telonas, adota uma linguagem completamente diferente de Chicago, mas surte o mesmo efeito. Memorável.

12 – Ratatouille
Ratatouille, Estados Unidos, 2007, de Brad Bird
Nossos filmes favoritos são os que mais nos comovem, geram mais empatia, catarse. Ratatouille me pegou no flashback de Ego. Obra-prima. Ah, também foi o primeiro da fornada adulta da Pixar que gerou logo depois WALL-E e Up.



11 – O Jardineiro Fiel
The Constant Gardener, Estados Unidos/ Alemanha/ Brasil, 2005, de Fernando Meirelles
Arrancou aplausos (e lágrimas) mundo afora. Belíssimo, visual e dramaticamente.

10 – O Pianista
The Pianist, Estados Unidos/ França/ Polônia, 2002, de Roman Polanski
Choca pelo realismo e pela sensibilidade com que retrata o sofrimento do músico judeu. O melhor de Polanski.



9 – Filhos da Esperança
Children of Men, Estados Unidos, 2006, de Alfonso Cuarón
Difícil entender como passou tão despercebido em 2006. Simplesmente avassalador.

8 – Guerra nas Estrelas: Episódio III – A Revanche dos Sith
Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith, Estados Unidos, 2005, de George Lucas
Ainda que eu não fosse um fã, estaria na lista. Marcou o fim da maior saga da história do cinema. E ela terminou em alto nível.

7 – Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças
Eternal Sunshine of the Spotless Mind, Estados Unidos, 2004, de Michel Gondry
Quem já gostou de alguém entende bem esse aqui. Fantástico.

6 – Menina de Ouro
Million Dollar Baby, Estados Unidos, 2004, de Clint Eastwood
O diretor da década merecia ser lembrado e esse foi o melhor trabalho dele. Sensível, triste e genial.

5 – Kill Bill: Volume 1
Kill Bill: Volume 1, Estados Unidos, 2003, de Quentin Tarantino
Difícil foi escolher qual dos volumes merecia estar aqui. Emocionei-me mais com o primeiro. Um dos melhores filme de Tarantino.



4 – Cidade de Deus
Cidade de Deus, Brasil, 2002, de Fernando Meirelles
Sem pudores, pra mim é o melhor brasileiro de todos os tempos. Tem tudo na medida certa. O reconhecimento internacional foi estrondoso. Cinema de primeira.

3 – Batman: O Cavaleiro das Trevas
The Dark Knight, Estados Unidos, 2008, de Christopher Nolan
Mudou para sempre as adaptações de HQs. Não é uma historiazinha de herói. É um longa policial (dos melhores) com um herói no meio da trama.

2 – O Labirinto do Fauno
El Laberinto del Fauno, México, 2006, de Guillermo Del Toro
A emoção da cena final foi um dos melhors momentos que vivi no cinema nos últimos anos. Filmaço.

1 – O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
The Lord of the Rings: The Return f the King, Estados Unidos/ Nova Zelândia, 2003, de Peter Jackson
A lista toda exigiu uma mistura de razão e emoção, às vezes a briga de um sentimento com o outro. O número um não poderia deixar de ser esse. Tem o coração, já que sou um fã confesso da série, e a cabeça, uma vez que venceu tudo. Guardem essas marcas: 1,1 bilhão de dólares de bilheteria, 11 Oscar (inclusive filme, diretor e roteiro), maior vencedor da história do prêmio da Academia ao lado de Titanic e Ben-Hur. De fato, merece o topo.


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Tá chegando

Falta pouco menos de um mês para o aniversário de dez anos de uma data que vale muito para os atleticanos (e que os cruzeirenses devem odiar)...

domingo, 11 de outubro de 2009

Esse bastardo...


O estilo é o mesmo de antes e o resultado, também. Tarantino voltou a abusar da sua forma particular de fazer cinema e transformou Bastardos Inglórios em mais um fora-de-série. Cobrem-me se as 'profecias' abaixo não se tornarem realidade nos próximos anos:

- Aldo Raine e Hans Landa serão personagens iconográficos;

- A trilha sonora, mais uma vez recheada de referências, vai estourar;

- O primeiro diálogo, entre Hans Landa e Perrier LaPadite, vai virar aula de roteiro. Será comparado aos que Tarantino escreveu em Kill Bill (A Noiva e Bill no final do longa) e Pulp Fiction (Vincent e Jules no carro);

- Bastardos Inglórios será tão cultuado quanto os projetos anteriores do diretor;

O sempre-bom e não-tão-velho Quentin conseguiu outra vez.

domingo, 20 de setembro de 2009

What's the matter with him?



Sobre Meninos e Lobos…

Menina de Ouro…

A Conquisa da Honra...

Cartas de Iwo Jima…

A Troca...

Gran Torino...

De 2003 para cá, Clint Eastwood dirigiu os seis filmes, trabalhos acima da média. Dois deles, pelo menos, são obras-primas (os dois primeiros). A recompensa? Sete indicações ao Oscar e duas estatuetas pelo drama da boxeadora Maggie Fitzgerald.

O último, Gran Torino, é mais um fora-de-série. O protagonista machão lembra, de propósito, um áureo Dirty Harry. O personagem preconceituoso e solitário que aos poucos se redime do passado ecoa em Menina de Ouro. A direção sensível e o final impactante estão em todos os exemplares da lista que abre este post.

Gran Torino é o melhor filme de 2008. Injustiça não ter sido, sequer, indicado ao Prêmio da Academia. Ironia que, num ano de produções inferiores às de 2007, a melhor delas seja superior a todas da temporada passada.

Aos 79 anos, Clint ainda consegue amadurecer a cada trabalho. Essa característica, somada à bagagem da lista acima, só faz crescer a expectativa para Invictus, projeto do cineasta que chega aos cinemas em dezembro, biografia de Nelson Mandela.

Cabe perguntar se será, mais uma vez, um dos melhores do ano?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Saldo do Verão

X-Men Origens: Wolverine – U$ 363 milhões em todo o planeta

Star Trek – U$ 382 milhões

Anjos e Demônios – U$ 483 milhões

Uma Noite no Museu 2 – U$ 396 milhões

O Exterminador do Futuro: A Salvação – U$ 370 milhões

A Era do Gelo 3 – U$ 789 milhões

Transformers: A Vingança dos Derrotados – U$ 824 milhões

Harry Potter e o Enigma do Príncipe – U$ 861 milhões

G-Force – U$ 126 milhões

G.I. Joe – U$ 188 milhões

Bruno – U$ 147 milhões

The Hangover – U$ 402 milhões
Ainda não estreou no resto do mundo

Year One – U$ 53 milhões
Ainda não estreou no resto do mundo

Up – U$ 388 milhões
Ainda não estreou no resto do mundo

Pequenas considerações:

1 – X-Men manteve a média de seus antecessores.

2 – Star Trek não chegou aos U$ 400 milhões, mas deu novo fôlego à série. O 11º capítulo já está confirmado.

3 – A rejeição a O Código da Vinci atrapalhou Anjos e Demônios.

4 – O Exterminador do Futuro: A Salvação não rendeu como esperado.

5 – Transformers superou o prequel e se tornou um dos maiores sucessos do verão.

6 – Harry Potter deve chegar perto do bilhão arrecadado. Caminho aberto para a 7ª aventura finalmente romper essa barreira.

7 – The Hangover e Up vão se tornar mega-sucessos globais.

Concordam?

quinta-feira, 30 de julho de 2009

James is back!

Gênio ou maluco? A dúvida percorre a vida de quase todos que se destacam no que fazem. Se dá certo, é fantástico, fora de série. Do contrário, é um louco, perdido. Às vezes até penso que, no fundo, uma coisa não exclui a outra.

James Cameron segue à risca as linhas acima.

Maluco, criou um robô futurista que vem ao presente dar fim à guerra de anos à frente. Gênio, fez de O Exterminador do Futuro o renascimento da ficção científica no cinema.

Louco, recriou um transatlântico (em tamanho real!) só para afundá-lo meses depois. Excepcional, ganhou 11 Oscar com Titanic e colocou o filme no topo das bilheterias para sempre.

Chegou a hora do canadense aprontar mais uma vez. Depois de dez anos de espera, vai lançar Avatar, uma ficção científica dramática, que se passa no futuro e tem como tema a exploração espacial. Foi filmado em 3D e já gastou mais de U$ 200 milhões na produção.

Será o longa mais um mega sucesso ou vai se tornar um super fracasso?

Gênio ou louco?

A resposta, só saberemos em dezembro.

Enquanto isso, fica uma palhinha:



Aposto 50 mangos no gênio.